Existem muitos momentos nas empresas, em que embora ninguém o admita, ninguém se entende, parece que uns estão a falar de uma coisa e outros estão a falar de outra. Quando na verdade muitas vezes, estão todos a querer dizer o mesmo. Nunca te aconteceu?
Aqueles momentos em que tudo segue, os resultados acabam por aparecer pois vão saber afinal o que é preciso fazer, que não foram ouvidos e o líder pensa que explicou tudo bem.
É nestes momentos que fica o perigoso e invisível, cada um começa a trabalhar a sua própria versão da realidade e não a realidade coletiva porque o que cada um pensa que é a realidade, não passa de uma mera percepção da realidade.
Eu vivi isto. Existiram momentos, em que eu comunicava constantemente com a equipa, explicava objetivos, reforçava prioridades, alinhava caminhos, e ainda assim, sentia um desalinhamento silencioso.
Era como se estivéssemos todos na mesma empresa… mas em direções diferentes.
Durante algum tempo, pensei que o problema era simples: “Tenho de comunicar melhor.”
E de facto tinha, pois os líderes também erram, contudo, não era só isso, era um problema bem mais profundo porque o todo é responsável por cada atitude que tem.
A comunicação nas empresas não falha só quando falamos mal, falha quando assumimos que o outro entendeu.
Falha quando o líder fala… e a equipa interpreta à sua maneira.
Falha quando a equipa fala… e o líder ouve apenas o que confirma a sua visão.
Falha quando há discurso… mas não há verdadeira escuta.
E estas situações, deixam de ser um problema de comunicação e passam a ser um problema de percepção, interpretação, posicionamento e muitas vezes ataque pessoal e à identidade e não os reais motivos de cada função.

Hoje, apenas 14% dos colaboradores dizem sentir-se totalmente alinhados com os objetivos da empresa e mais de metade perde diariamente até duas horas só a tentar perceber o que é realmente esperado. Quando a comunicação da liderança é clara, os colaboradores sentem-se até três vezes mais satisfeitos.
E aqui não estamos a falar de motivação, estamos a falar de alinhamento operacional e de cultura, de execução e de resultados.
E, no entanto, continuamos a tratar a comunicação como um tema secundário.
Estou semanalmente a dar treinamento a equipas e mentorias individuais aos colaboradores e o maior erro que mais vejo nas empresas, é que as organizações continuam a olhar para a comunicação como um fluxo de cima para baixo.
Quando na realidade, a prática, é um problema circular.
O líder comunica…a equipa interpreta…a equipa reage…o líder interpreta essa reação…
e ajusta com base numa leitura que nem sempre é real.
E assim nasce o desalinhamento. Não porque as pessoas não queiram, mas porque estão a operar com mapas diferentes.
Estes sabotadores invisíveis que ninguém está a trabalhar não são ferramentas, não são canais,
são comportamentos.
• Pessoas que ouvem para responder, não para compreender
• Líderes que explicam, mas não verificam entendimento
• Equipas que não falam por receio ou desgaste
• Comunicação feita em cima da pressão, sem espaço para reflexão
• Mensagens iguais para pessoas que pensam de forma completamente diferente
• Falta de adaptação ao estado emocional de quem está do outro lado
• Suposições constantes mascaradas de “já está claro”
E depois surge o clássico:
“Mas isto já foi dito.” mas não foi integrado.
O ponto de viragem, é quando se percebe e se aprende que a comunicação eficaz não é aquela que sai de nós, é aquela que provoca alinhamento no outro. E isso implica uma coisa que muitas vezes falta nas organizações, a responsabilidade partilhada.
Não é só o líder que tem de comunicar melhor. A equipa também tem de saber comunicar, questionar, validar, clarificar.
Porque enquanto cada lado continuar a assumir que o problema está no outro, ninguém corrige o sistema.
Comunicar não é falar. É criar entendimento comum.
80% dos colaboradores dizem confiar mais nas organizações quando a comunicação é transparente e 30% admitem sair de um trabalho por falta de clareza.
Será que isto é um mero detalhe?
É cultura.
É liderança.
É retenção.
É performance.
Quando existe desalinhamento numa equipa…Não é só, “Será que expliquei bem?”
É também, “Será que ouvi verdadeiramente?”
Porque no final, a comunicação não é um ato individual. É um sistema.
E quando esse sistema falha, não falha só quem fala.
Falha toda a organização.
Se estás numa empresa onde sentes que há esforço… mas não há alinhamento, então talvez o problema não seja falta de trabalho.
Seja falta de entendimento.
E isso não se resolve com mais reuniões.
Resolve-se com uma coisa mais exigente, consciência na forma como comunicamos e responsabilidade na forma como ouvimos.
Sabe mais sobre este tema no Treino Intensivo da Consciência ao resultado dos dias 26, 27 e 28 de junho e verás que a tua comunicação será bem diferente e com mais resultados.
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Adriana Carneiro
www.fazatuamudanca.com
