Este é um tema que se evita falar, mas muitas mulheres vivem-no em silêncio quando ele aparece.
Há uma fase da vida em que algo muda. Não de forma dramática, nem visível ao início, mas suficiente para criar uma sensação difícil de explicar pois deixas de te reconhecer.
Não é só o corpo.
É a mente.
É a energia.
É a forma como pensas, sentes e reages.
E, de repente, a mulher que sempre decidiu com clareza começa a duvidar.
A mulher que sempre teve controlo emocional começa a sentir-se reativa.
A mulher que sempre segurou tudo começa a sentir que está a perder o centro.
Chamamos-lhe menopausa. Na minha opinião reduzi-la a isso…..é pequeno.
O problema não é o que está a acontecer. É não perceber o que está a acontecer.
Estudos recentes mostram que mais de dois terços das mulheres relatam dificuldades de memória e concentração nesta fase, muitas vezes associadas a alterações de sono, stress e carga emocional acumulada.
No contexto profissional, sintomas como fadiga, insónia e aquilo a que hoje se chama “brain fog” começam a impactar decisões, foco e confiança.
Mas o verdadeiro problema não está apenas nos sintomas. Está na interpretação.
Porque quando uma mulher não entende o que está a viver, tende a concluir:
“Estou a falhar.”
“Já não sou a mesma.”
“Estou a perder capacidades.”
E é aqui que começa a quebra.
Não física mas identitária.
Quando a vida não abranda… mas tu sentes que mudaste.
Falo deste tema também por experiência própria.
Entre outubro e dezembro de 2024, vivi uma fase em que deixei de me reconhecer.
Dormia duas, três horas por noite. A memória falhava. Sentia-me emocionalmente reativa, com atitudes que não eram minhas.
Irritava-me… e depois irritava-me por me ter irritado.
O meu corpo estava diferente.
A minha energia estava diferente.
A minha forma de reagir estava diferente.
E a vida não abrandou.
Estava a atravessar desafios profissionais exigentes, uma fase financeira difícil e uma relação que me consumia emocionalmente.
Mas o mais duro não foi o cansaço.
Foi esta sensação silenciosa:
“Eu já não sou eu.”
O momento em que tudo muda, é quando paras e procuras ajudas e procuras entender o que se está a passar.
Percebi que a Adriana do passado não ia voltar e que existe uma Mulher antes da menopausa e outra Mulher, após a menopausa.
E a pergunta deixou de ser:
“Como é que volto ao que era?”
E passou a ser:
“Como é que lidero quem sou agora?”
A maioria das mulheres tenta voltar atrás, tenta manter o mesmo ritmo, a mesma exigência e a mesma identidade.
E quando não consegue… culpa-se.
O problema não é falta de capacidade é falta de ferramentas internas para lidar com a mudança e ai passei usar o que sei e ensino em mim, de forma a levar esta mudança com uma melhor leveza e aceitação.
Hoje já sabemos que abordagens ligadas à regulação emocional, consciência cognitiva e gestão do estado interno têm impacto direto na forma como as mulheres vivem esta fase.
Não controlamos tudo o que sentimos, mas podemos aprender a liderar a forma como lidamos com isso.
Há uma diferença brutal entre estas duas vozes:
“Estou a falhar.”
e “Estou a mudar e preciso de novas estratégias.”
Entre:
“Já não sou a mesma.”
e “Estou a entrar numa nova fase que exige uma nova forma de me liderar.”
A menopausa não é apenas uma fase biológica. É uma fase onde a mulher é chamada a:
* rever a sua identidade
* ajustar a sua exigência
* redefinir o seu ritmo
* e aprender a comunicar consigo própria de forma diferente
O que ainda não estamos a falar
Estamos a falar de mulheres no auge da sua experiência. Mulheres que lideram equipas.
Que tomam decisões.
Que sustentam famílias.
Que continuam a ter de estar presentes.
E que, muitas vezes, vivem esta fase em silêncio.
As empresas ainda não sabem lidar com isto.
A sociedade ainda reduz o tema a algo clínico.
E muitas mulheres continuam sem linguagem para explicar o que sentem.
A questão não é:
“O que me está a acontecer?”
A questão é:
“Quem preciso de me tornar para atravessar esta fase com consciência?”
A menopausa não tira poder à mulher.
Mas pode abalar a sua identidade, a sua confiança e a sua presença quando não existe consciência sobre o que está a acontecer.
Não devia ser tratada apenas como uma fase clínica.
É uma fase de:
* identidade
* comunicação interna
* autoliderança
* reconexão
E talvez uma das fases mais exigentes e mais transformadoras da vida de uma mulher.
Porque não se trata de voltar ao que era, trata-se de aprender a liderar quem se tornou.
Quantas mulheres deixam de se reconhecer… e não sabem porquê?
E mais importante quantas continuam a viver, a trabalhar e a decidir… sem nunca terem aprendido a liderar esta mudança por dentro?
Se este tema ressoa em ti, talvez esteja na altura de começarmos a falar da menopausa de forma diferente.
Não apenas como um processo biológico mas como uma fase que exige consciência, ferramentas e uma nova forma de liderança pessoal.
Porque mudar não é perder-se.
É aprender a regressar a ti com mais clareza, mais maturidade e mais poder. 🚀
Lidera a tua vida, antes que te liderem a ti.
Adriana Carneiro
www.fazatuamudanca.com
