São duas da manhã e não queres ligar a ninguém. Não queres preocupar a família e não queres ouvir mais uma opinião de um amigo. Também não queres marcar uma consulta e esperar semanas para ser atendido.
Abres uma aplicação e escreves:
“Não sei se devo abandonar o meu trabalho. Sinto que já não aguento, mas tenho medo de me arrepender.”
Em poucos segundos, recebes uma resposta organizada, cuidadosa e aparentemente empática.
A inteligência artificial não interrompe, não julga, não se cansa. Está sempre disponível a qualquer hora e parece encontrar as palavras que, naquele momento, ninguém conseguiu dizer.
A pessoa sente-se compreendida. Será que sentir-se compreendido é o mesmo que estar a ser verdadeiramente acompanhado?
Nunca tivemos tantas respostas e talvez nunca tenha sido tão difícil escutarmo-nos a nós próprios.
A inteligência artificial já não serve apenas para escrever textos, resumir documentos ou organizar agendas.
Há pessoas que a procuram para falar sobre ansiedade, relações, solidão, conflitos familiares, decisões profissionais e momentos de profundo sofrimento emocional.
E é fácil compreender porquê. Ela está sempre está disponível, responde rapidamente e não nos obriga a enfrentar o desconforto de revelar a nossa vulnerabilidade a outra pessoa.
Além disso, existe um problema real de acesso. Investigadores de Stanford referem que quase metade das pessoas que poderiam beneficiar de apoio terapêutico não consegue obtê-lo. A tecnologia surge, por isso, como uma resposta acessível a uma necessidade que o sistema ainda não consegue satisfazer. Stanford University
Contudo, negar esta utilidade seria intelectualmente desonesto pois a inteligência artificial pode ajudar-te a organizar pensamentos, preparar perguntas para uma consulta, identificar padrões naquilo que escreves ou encontrar coragem para pedir a ajuda, que tu não tens.
O real problema até nem é conversar com uma máquina, o real problema começa quando passamos a deixar de a usar como ferramenta e passamos a tratá-la como autoridade sobre a nossa vida.
A IA pode ajudar-nos a organizar o pensamento. O perigo começa quando lhe entregamos a autoria das nossas decisões.
Uma resposta convincente não é necessariamente uma resposta certa.
A inteligência artificial responde com base na informação que lhe damos e não conhece tudo o que omitimos e deixamos de fora. Não acompanhou a nossa história e não observa de forma clinicamente fiável os nossos silêncios, contradições, mecanismos de defesa ou alterações de comportamento.
Sobretudo, não vive as consequências daquilo que nos aconselha.
Um estudo desenvolvido por investigadores de Stanford concluiu que os sistemas analisados podiam apresentar respostas inadequadas perante determinadas situações de saúde mental e, em alguns casos, reforçar pensamentos delirantes ou falhar na identificação de sinais críticos. Investigação Stanford.
Há ainda uma fragilidade particularmente perigosa que é a tendência para nos dar sempre razão e se lhe apresentarmos uma relação descrevendo apenas aquilo que o outro fez de errado, a resposta será construída a partir dessa versão e não por toda a análise dos factos.
Se lhe dissermos que toda a gente nos persegue, a máquina pode organizar argumentos que confirmem essa perceção e se lhe perguntarmos repetidamente se devemos desistir, podemos acabar por receber não a resposta de que precisamos, mas a resposta para a qual conduzimos a conversa.
Isto não é consciência. É uma narrativa bem estruturada e uma narrativa bem estruturada continua a poder ser uma narrativa errada.
O verdadeiro risco é começarmos a terceirizar a nossa consciência.
Já entregámos à tecnologia a nossa memória, a nossa orientação, parte da nossa comunicação e muitas das nossas tarefas. Agora corremos o risco de lhe entregar também aquilo que deveria permanecer profundamente humano, o confronto connosco próprios.
Mudar mudar não é apenas compreender intelectualmente o que está a acontecer, mudar exige reconhecer padrões, questionar crenças, assumir responsabilidade e agir de forma diferente.
A inteligência artificial pode formular uma pergunta poderosa, mas nunca irá sentir o desconforto da resposta.
Pode até sugerir uma conversa difícil, mas não entra na sala, não olha a outra pessoa nos olhos e não assume as consequências dessa conversa.
Pode apresentar várias alternativas mas não escolhe os valores pelos quais queremos viver.
Essa parte continua e continuará a ser sempre nossa.
A inteligência artificial deve ser um espelho, não o volante das nossas decisões ou projetos.
Não precisamos de escolher entre rejeitar a tecnologia e entregar-lhe a nossa vida, só precisamos de aprender a utilizá-la com consciência.
Antes de aceitar uma orientação dada por uma ferramenta de inteligência artificial, talvez devêssemos fazer três perguntas:
- Esta resposta está a ajudar-me a pensar ou apenas a confirmar aquilo em que já acredito?
- Que informação importante posso ter omitido, consciente ou inconscientemente?
- Esta situação exige uma decisão minha, uma conversa humana ou o acompanhamento de um profissional qualificado?
Em situações de sofrimento psicológico, risco, diagnóstico ou crise, a inteligência artificial não deve substituir o apoio de um profissional de saúde mental e nas decisões pessoais e profissionais, também não deveria substituir a nossa capacidade de pensar, escolher e assumir responsabilidade.
Pode apoiar a clareza mas não pode construir a nossa identidade.
Pode melhorar a forma como comunicamos mas não pode ter a conversa por nós.
Pode sugerir uma ação mas não pode assumir o compromisso.
Decidir continua a ser um ato profundamente humano.
Foi precisamente desta consciência que nasceu o EU DECIDO.

Não nasceu para dizer às pessoas o que devem escolher.
Nasceu para criar um espaço onde cada pessoa possa interromper o ruído, reconhecer aquilo que já não quer continuar a adiar e transformar uma intenção numa primeira ação concreta.
A mudança começa quando a decisão deixa de ser apenas uma intenção e passa a ser um compromisso, começa com uma decisão seguida de uma ação sustentada.
No dia 19 de setembro, no Auditório do Taguspark, não vamos procurar respostas automáticas.
Vamos falar de liderança, comportamento humano, comunicação, escolhas e futuro.
Vamos recuperar uma capacidade que nenhuma tecnologia deveria exercer em nosso lugar:
A capacidade de decidir conscientemente quem queremos ser e como queremos viver.
A inteligência artificial pode acompanhar parte do caminho, mas a direção continua a ser nossa.
EU DECIDO | Faz a Tua Mudança®
19 de setembro de 2026 Auditório do Taguspark
Se sentes que existe uma decisão que continuas a adiar, talvez este não seja apenas mais um evento, talvez seja o momento de deixares de perguntar apenas “o que devo fazer?” e passes a responder:
“O que decido fazer a partir de agora?” Inscreve-te e desafia-te www.fazatuamudanca.com
Adriana Carneiro


