É exatamente por isso, que és tu que tens que estar atento a ela.
Há frases que parecem duras, mas a verdade raramente é confortável. E esta é uma delas:
A vida não está nem aí para ti.
Podemos fazer de conta, dramatizar, relativizar, culpar o mundo, mas no fim do dia, a vida move-se com uma frieza absoluta. Ela não para porque tu estás cansado, ou porque tens medo, não espera que te organizes ou nem quer saber se tu reclamas ou não. A vida não se comove com o que adias.
A vida segue. Ponto final.
E enquanto isso, a maioria das pessoas vive absorvida por micro-problemas que não acrescentam nada tais como, críticas, comentários, mal-entendidos, expectativas dos outros, pequenas guerras internas, ressentimentos que já deviam ter sido enterrados e perdoados.
E tu sabes disso e simplesmente, não mudas.
Sempre que te vires a perder tempo, energia ou paz com coisas pequenas, faz esta pergunta a ti mesmo:
Se eu tivesse morrido anteontem… isto faria algum sentido?
A discussão que te está a consumir?
A pessoa que não te respondeu?
A expectativa que não foi cumprida?
A necessidade de ter razão?
O perdão que nunca dás?
O orgulho que não largas?
O medo que manténs como desculpa?
Se tivesses morrido há dois dias, alguma dessas batalhas teria tido uma verdadeira importância?
A resposta é óbvia…..e apesar disso, continuamos a viver como se tivéssemos 200 anos garantidos.
A vida não avisa. A vida acontece.
Quando o meu marido adoeceu aos 35 anos, cheio de planos e sonhos, aprendi ao longo dos 6 anos de luta contra o cancro que a vida vira-te do avesso sem pedir licença. E tu não tens qualquer controlo sobre isso.
A única coisa que controlas é quem te tornas enquanto a vida acontece.
E aqui entra o que custa admitir, viver sem clareza, sem decisões reais, reagir com os mesmos gatilhos de sempre sem os questionar, viver para os outros e não para ti, viver a reagir em vez de liderar a tua própria vida.
Viver a esperar sempre o tal “momento certo” a tal perfeição que não existe até porque, a perfeição é incompleta, como tal nunca a irás atingir.
Viver a adiar conversas que têm que ser feitas, viver sem escolhas e mudanças que têm que ser tomadas. Viver a perder tempo com o que, no fundo, pouco vale.
Até que, depois a vida empurra-te, dá-te um empurrão que te faz abanar e passas a queixares-te dela, ou a culpar tudo e todos e a alegar que a vida “é madrasta” .
Mas a vida não está nem aí para ti. Ela só está aí para quem age.
Estudos internacionais mostram que mais de 70% das pessoas passam a vida em piloto automático. E o piloto automático tem uma característica muito simples, não constrói, apenas repete, os mesmos pensamentos de sempre, os mesmos hábitos de sempre e as mesmas decisões de sempre.
E quem repete, não lidera.
Não evolui.
Não cresce.
Não transforma.
Não deixa legado.
É assim que se chega aos 40, 50, 60… cheio de “e se” e com muito pouco “eu fiz”.
Então o que é que realmente interessa? Interessa o que constrói, o que te faz crescer, o que te aproxima da pessoa que de facto queres ser e da forma como lideras a tua vida.
Interessa isto:
- Clareza sobre o que queres, porque queres e o que te está a impedir de fazer. O que estás a fazer a mais que tens que fazer a menos e o que estás a fazer a menos que tens que fazer mais.
- Identidade que não depende da validação dos outros. A identidade de quem és e quais os verdadeiros valores que te regem.
- Comunicação que cria impacto, não ruído. A forma como comunicas contigo e com os outros diariamente, as crenças que afetam essa comunicação e forma de agir e reagir a tudo o que te acontece.
- Ação diária, consistente, estratégica, com um verdadeiro Business Plan da tua vida.
O resto? É viver para as aparências e para evitar menos problemas. Quando a vida te vira do avesso e te leva para uma cama de hospital…..a vida não se adapta a ti.
A vida não te dá garantias. Não te deve explicações.
Mas tu podes e deves decidir liderar a tua própria vida antes que a vida lidere por ti.
A vida não está nem aí para ti… mas a tua mudança está.
Faz a tua mudança, lidera a tua vida, antes que te liderem a ti.
Adriana Carneiro


