Estamos a pedir aos jovens que decidam o futuro antes de os ensinarmos a lidar com o presente.

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Estamos a pedir aos jovens que decidam o futuro antes de os ensinarmos a lidar com o presente.

“Que curso vais escolher?”

“O que queres fazer da tua vida?”

“Já sabes qual será a tua profissão?”

“E depois do curso, vais trabalhar onde?”

As perguntas começam cedo e eu, com uma filha de 20 anos e um filho de 18 na fase de entrar numa universidade, vivo esta realidade diariamente e muitas vezes, também eu, lhes faço esta pressão.

Muitas vezes estas perguntas, nascem de uma preocupação legítima. Queremos que os jovens tenham futuro, estabilidade e oportunidades.

Mas, sem percebermos, essa preocupação transforma-se frequentemente numa pressão silenciosa, a obrigação de apresentarem respostas definitivas quando ainda estão a descobrir quem são.

Pedimos-lhes que escolham uma profissão antes de conhecerem verdadeiramente o mercado de trabalho.

Pedimos-lhes que decidam o futuro quando ainda estão a construir a própria identidade.

Pedimos-lhes segurança num mundo que muda mais depressa do que qualquer plano académico.

E, quando demonstram ansiedade, indecisão ou medo, concluímos demasiado depressa:

“Esta geração é muito frágil.”

Mas será mesmo?

Talvez não sejam frágeis. Talvez estejam sobrecarregados.

Um estudo da Organização Mundial da Saúde para a Europa, realizado com cerca de 280 mil jovens dos 11 aos 15 anos, em 44 países e regiões, mostra um aumento da pressão escolar.

Entre os jovens de 15 anos, 63% das raparigas e 43% dos rapazes afirmaram sentir-se pressionados pelo trabalho escolar. Ao mesmo tempo, a percentagem de adolescentes que reportou um elevado apoio familiar desceu de 73% para 67% entre 2018 e 2022.

Os dados revelam uma combinação preocupante, mais pressão e uma menor percepção de apoio. Os resultados foram divulgados pela Organização Mundial de Saúde para a Europa.

Este dado, não significa que todos os jovens estejam em sofrimento psicológico ou que qualquer dúvida seja um problema de saúde mental, significa que, precisamos de olhar com mais atenção para o contexto em que estão a crescer.

A OCDE reforçou esta ideia num relatório publicado em abril de 2026, em que não existe uma única explicação para a deterioração da saúde mental dos jovens.

Existem vários fatores que se cruzam, como a pressão académica, a insegurança económica, as dificuldades no acesso à habitação, o bullying, a instabilidade global, as redes sociais e a digitalização. A própria OCDE sublinha que a relação entre redes sociais e saúde mental é complexa e depende do contexto, não podendo ser reduzida a uma causa única. Esta, é umas das principais conclusões do relatório da OCDE.

Estes jovens não estão apenas a escolher um curso. Estão a tentar encontrar o seu lugar num mundo que lhes mostra, diariamente, milhares de pessoas aparentemente mais bonitas, mais felizes, mais produtivas e mais bem-sucedidas.

Antigamente, um jovem comparava-se sobretudo com os colegas da escola ou com os amigos do bairro.

Hoje, compara os bastidores da sua vida com o palco cuidadosamente editado de milhões de pessoas.

E nós continuamos a perguntar:

“Então, já decidiste o que vais fazer da tua vida?”

A incoerência dos adultos

Existe uma contradição que precisamos de ter coragem para reconhecer.

O mundo profissional diz-nos que teremos diferentes funções e, muitas vezes, várias carreiras ao longo da vida.

Diz-nos que a inteligência artificial está a transformar profissões, que o mercado exige adaptação permanente e que muitas competências terão de ser continuamente atualizadas e continuamos a exigir que um jovem, aos 17 ou 18 anos, faça uma escolha como se estivesse a assinar um contrato para o resto da vida.

Curiosamente, muitos dos adultos que lhes exigem certezas também não estão satisfeitos com as próprias escolhas.

Quantas pessoas permanecem num trabalho que já não as realiza?

Quantas acordam todos os dias sem entusiasmo, mas aconselham os filhos a escolher o caminho “mais seguro”?

Quantas gostariam de mudar, mas sentem que já não têm idade, condições ou coragem?

Talvez o maior peso que colocamos sobre os jovens não seja a expectativa de terem sucesso e seja a expectativa de nunca poderem mudar de ideias.

Eu própria sou a prova de que uma vida não tem de seguir uma linha reta.

Fui advogada, trabalhei durante 22 anos na banca, assumi responsabilidades na área do marketing digital e vivi diferentes desafios empresariais.

Hoje sou mentora, formadora, palestrante e executive coach. Criei a Faz a Tua Mudança® e Faz a tua Mudança Next Gen e dedico-me a ajudar pessoas e organizações a transformar consciência em ação.

Não desperdicei os percursos anteriores. Trouxe comigo tudo o que aprendi em cada um deles.

Fazer uma mudança, não apagou a minha história, simplesmente, deu-lhe um novo sentido.

Seria profundamente incoerente da minha parte dizer a um jovem que tem de saber hoje exatamente quem será amanhã.

Não devemos normalizar o sofrimento, mas também não devemos transformar toda a incerteza numa doença.

Este é o lado mais incómodo desta discussão.

Falar de saúde mental é essencial, procurar apoio profissional sempre que necessário também, mas crescer implica enfrentar desconforto, ouvir um “não”, lidar com uma má nota, reconhecer um erro, assumir consequências e continuar.

Proteger os jovens não significa retirar-lhes todos os obstáculos.

Significa dar-lhes ferramentas para atravessarem esses obstáculos sem perderem a confiança, a identidade e a capacidade de escolher.

A solução não é deixar de exigir.

É perceber o que exigimos, como exigimos e que apoio oferecemos durante o processo.

Um jovem não precisa que decidamos tudo por ele. Precisa de aprender a conhecer-se, a comunicar, a gerir emoções, a assumir responsabilidade e a transformar uma decisão em ação.

Precisa de compreender que uma escolha não é necessariamente uma sentença.

Pode ser apenas o primeiro passo.

Talvez esteja na altura de mudarmos as perguntas

Em vez de perguntarmos apenas “o que vais ser?”, talvez devêssemos perguntar:

Quem te estás a tornar?

Que problema gostarias de ajudar a resolver?

Que valores não estás disposto a negociar?

O que precisas de experimentar antes de decidir?

Que competências precisas de desenvolver para estares preparado, mesmo quando os planos mudarem?

Estas perguntas não retiram responsabilidade aos jovens bem pelo contrário, tornam-nos protagonistas das próprias escolhas.

Decidir não é ter a garantia de que tudo vai correr bem, decidir é assumir a responsabilidade de começar, observar, aprender e corrigir o caminho quando for necessário.

O futuro não está à espera, mas também não tem de estar todo decidido.

Foi precisamente por acreditar que os jovens não podem ser apenas espectadores das conversas sobre o futuro que criei o EU DECIDO NextGen.

No dia 19 de setembro de 2026, no Auditório Taguspark, sete jovens vão subir ao palco do EU DECIDO | Faz a Tua Mudança 2026, num painel moderado por Pedro Ramos.

Não para ouvirem os adultos dizer-lhes o que devem fazer, mas sim, para terem voz e para falarem de mudança, liderança, escolhas, dúvidas, ambições e da perspetiva de uma geração que não quer apenas herdar o futuro.

Quer participar na sua construção.

O EU DECIDO não é um evento onde alguém promete entregar todas as respostas.

É um espaço criado para provocar perguntas, despertar consciência e transformar intenção em compromisso.

Se és jovem, vem ocupar o teu lugar nesta conversa.

Se és pai, mãe, professor, líder ou empresário, vem ouvir antes de aconselhar.

Porque preparar uma geração para o futuro não é decidir por ela.

É dar-lhe ferramentas, confiança e espaço para aprender a decidir.

EU DECIDO | Faz a Tua Mudança 2026 – www.fazatuamudanca.com

19 de setembro | 09h00 às 19h00

Auditório Taguspark, Oeiras

DECIDE HOJE. Transforma Amanhã.

Não queiras fazer tudo ao mesmo tempo, é um erro que só te vai desgastar a ti. Relaxa, vai à beira mar, analisa em consciência e avlia qual destes pontos  precisa mais da tua atenção à data e começa por esse com calma, mas com uma  decisão.

E eu quero ajudar-te nessa jornada, marca a tua sessão, a tua reunião e juntos, marcaremos a diferença na tua tomada de decisão.

𝑭𝒂𝒛 𝒂 𝒕𝒖𝒂 𝒎𝒖𝒅𝒂𝒏ç𝒂! Alcança a tua melhor versão
𝐀𝐝𝐫𝐢𝐚𝐧𝐚 𝐂𝐚𝐫𝐧𝐞𝐢𝐫𝐨