Vivemos num mundo em constante mudança.
A mudança de carreira porque é imposta com reestruturações empresarias, a que nos é imposta pela própria idade e a mudança em que decidimos fazer essa mudança porque algo não está a fazer sentido na nossa vida.
Já não se trata apenas de jovens em busca de propósito, mas de profissionais experientes que, após anos de conquistas, percebem que o sucesso sem alinhamento é apenas sobrevivência disfarçada.
A minha história reforça que a mudança é possível, seja ela imposta como aconteceu em vários momentos da minha vida, seja a que decidi fazer aos 50 anos. Mudar não é sinal de instabilidade, é sinal de lucidez e evolução.
Aos 20, troquei o Direito pelo MillenniumBcp, aos 45 assumi a gestão da empresa de Marketing Digital e Publicidade do meu falecido marido e aos 50 anos, volto a reinventar-me como líder e empreendedora da marca Faz a tua Mudança.
Aos 50 anos transformei a minha experiência e resiliência, aliadas ao conhecimento num método que inspira líderes, equipas e organizações a fazerem o mesmo. A mudança, quando feita com propósito, é das decisões mais maduras que podes tomar na tua vida.
1. O mercado mudou e nós também.
Em Portugal, a taxa de emprego da população entre os 15 e os 64 anos situa-se nos 72,4%, acima da média da União Europeia. Mas a taxa de vagas de emprego é apenas 1,4%, uma das mais baixas da Europa. Isto significa que há mais pessoas empregadas, mas menos espaço para inércia e quem não se adapta, estagna.
Ao mesmo tempo, o crescimento projetado de emprego até 2030 é modesto, cerca de 0,3% ao ano.
O futuro pertence, portanto, a quem desenvolve novas competências e tem coragem de se reposicionar. A mudança de carreira não é mais um luxo, é uma vantagem competitiva.
2. As três grandes mentiras que impedem a mudança
A primeira é a mais comum: “Já é tarde demais. ” Segundo a OCDE, apenas 37% dos profissionais entre os 55 e os 74 anos mudam de emprego ou função, comparados com 54% dos mais jovens.
Mas menor frequência não significa impossibilidade, significa apenas, que há mais a perder e, por isso mesmo, mais consciência nas decisões.
A segunda mentira: “Tenho responsabilidades a mais.
” Filhos, estabilidade financeira, posição consolidada e tudo isso pesa na decisão final. Mas a verdadeira responsabilidade é com a nossa realização, e com o exemplo que deixamos a quem nos observa.
E a terceira: “Não sei por onde começar.
Falta método, não vontade. É aí que muitos se perdem pois entra o medo de falhar e o desejo de recomeçar mas para isso é parar e clarificar o que se quer e que plano estratégico desejo implementar.
3. O custo de não mudar
O maior risco não é mudar. É permanecer num lugar que já não nos representa. A falta de alinhamento profissional tem hoje um custo emocional e organizacional elevado, desmotivação, perda de produtividade e o que muitos chamam de “turnover silencioso” ou seja, estar presente no trabalho, mas emocionalmente ausente.
Vivi este dilema antes de criar o meu próprio caminho. Percebi que o verdadeiro colapso não é externo, é interno, quando deixamos de nos reconhecer no que somos, fazemos e no que queremos.
A boa notícia é que cada colapso pode ser um ponto de viragem na tua vida, depende tudo de uma decisão seguida de uma ação.
4. Estratégia de mudança: quatro princípios essenciais
A mudança eficaz exige estrutura, e não apenas coragem. Precisa de preparação e estratégia do que quero mudar, como o vou fazer e como vou implementar para não ficar sem rede. Exige consciência da identidade e valores, da forma de comunicar e do plano de ação a executar.
Não há idade certa para começar este ciclo. Aos 20, é energia. Aos 40, é discernimento. Aos 50, é sabedoria.
O tempo não limita, lapida tal como os diamantes, alguns precisam de ser mais lapidados do que outros.
5. O papel das empresas na mudança de carreira
As organizações falam cada vez mais sobre talento, mas continuam a olhar para a mudança de carreira como uma ameaça e não como uma oportunidade.
Muitos líderes ainda associam idade a desatualização, ou recursos mais caros, quando na verdade o que se perde com a experiência não é velocidade é ingenuidade. Apostar num sênior mais caro mas com melhor estrutura e maturidade profissional, produtividade e gestão de tempo e equipas é ganhar a médio e longo prazo, obtendo melhores resultados.
O profissional de 40 ou 50 anos que decide mudar de carreira, carrega bagagem emocional, visão sistémica e resiliência, três fatores críticos que não se ensinam em nenhuma formação.
Ao desvalorizarem quem muda, as empresas perdem precisamente o que mais procuram, pessoas com propósito, com compromisso e com capacidade de adaptação e visão real do que é criar, errar, recomeçar e liderar em tempos de incerteza.
O futuro das organizações dependerá da forma como olham para a reinvenção, ou a penalizam como fragilidade ou a reconhecem como maturidade.
As empresas que compreenderem isto serão as que liderarão o novo mercado, mais humano, mais consciente e mais produtivo.
6. Visão de futuro
A mudança de carreira deixou de ser interrupção ou desvio. É evolução consciente. Hoje, empresas que incentivam a reinvenção são mais produtivas e retêm melhor o talento.
E profissionais que se permitem recomeçar tornam-se referências em adaptabilidade, liderança e exemplo.
Nos mercados emergentes, como Angola e Moçambique, essa mentalidade de reinvenção é uma vantagem competitiva. Se chegas com método, prática e coragem tornaste um agente de transformação.
A mudança de carreira não está reservada a uma fase da tua vida, a uma idade ou status social.
Está disponível para quem decide fazer essa mudança de forma consciente, consistente para crescer, evoluir e deixar a sua marca.
Porque o que define o futuro não é a idade é a coragem de decidir, a clareza de escolher e a disciplina de agir.
A mudança é o ponto de viragem onde a vida decide crescer contigo porque não é ela que te desafia a ti, mas és tu que desafias a própria vida e decides liderar a tua vida, antes que te liderem a ti.
Adriana Carneiro



