Estamos a criar uma geração hiperconectada ao mundo e desligada de si própria?
Com a evolução das redes sociais, inteligência artificial, nunca estivemos tão ligados e ao mesmo tempo, tão sozinhos.
Nunca tivemos tanta tecnologia, tantas formas de comunicar, tantas plataformas para partilhar momentos, opiniões e emoções.
E, paradoxalmente, nunca vimos tantos jovens a sentirem-se sozinhos e perdidos como à data.
Esta semana, durante uma conversa com um grupo de jovens, ouvi uma frase que me ficou na cabeça,
“Tenho centenas de pessoas a seguir-me, mas quase ninguém com quem falar quando estou mal.”
Esta frase, diz muito sobre a realidade que estamos a construir e o mundo em que estamos inseridos.
Vivemos numa era em que a validação se mede em likes, seguidores e visualizações.
Uma era em que um algoritmo decide o que vemos, o que desejamos e, muitas vezes, aquilo que acreditamos que devemos ser.
O grande desafio, é que o cérebro humano não evoluiu à velocidade da tecnologia.
Enquanto as plataformas competem pela nossa atenção, milhares de jovens enfrentam diariamente uma pressão silenciosa para serem mais bonitos, mais produtivos, mais populares, mais bem-sucedidos e mais felizes.
Tens que ser sempre mais e nunca és suficiente.
Segundo vários estudos internacionais, os níveis de ansiedade, depressão e sentimentos de isolamento entre adolescentes e jovens adultos têm aumentado significativamente na última década.
A hiperconectividade trouxe muitas vantagens é um facto, mas também trouxe uma comparação constante.
E a comparação constante é uma das formas mais rápidas de destruir a autoestima.
Quando uma jovem passa horas a ver corpos perfeitos, vidas perfeitas e sucessos aparentemente instantâneos, começa a acreditar que existe algo de errado consigo.
Quando um jovem vê apenas conquistas, viagens, carros, relacionamentos e vitórias, começa a acreditar que está atrasado na vida.
O que não vê são as inseguranças, as dúvidas, as crises, os fracassas e os bastidores.
Até porque, os algoritmos não promovem a realidade, promovem o que gera atenção, mesmo que a qualidade não seja nenhuma.
E nem sempre aquilo que gera atenção gera saúde emocional.
Temos jovens mais informados do que nunca, mas muitas vezes menos preparados para lidar com a frustração.
Estão mais conectados digitalmente, mas emocionalmente mais isolados e mais expostos ao mundo, mas cada vez menos ligados à sua identidade.
Quem está a ensinar estas gerações a conhecerem-se a si próprias?
Quem lhes está a ensinar que o valor de uma pessoa não depende de um algoritmo?
Quem lhes está a mostrar que autoestima não se constrói através de filtros?
Quem lhes está a ensinar que errar faz parte do crescimento?
A verdadeira mudança começa quando deixamos de procurar validação externa e começamos a construir segurança interna.
Quando aprendemos a gerir emoções, quando desenvolvemos pensamento crítico e quando percebemos que não precisamos de ser iguais a ninguém para sermos extraordinários.
A tecnologia veio para ficar é um facto, os algoritmos também, mas a responsabilidade de formar seres humanos emocionalmente fortes continua a ser nossa.
Como pais, educadores. Líderes e como sociedade.
Uma geração pode ter toda a tecnologia do mundo, mas se perder a ligação consigo própria, perderá aquilo que mais importa.
E essa é uma mudança que não podemos ignorar.
Se és líder, educador, pai, mãe ou profissional que trabalha com pessoas, a pergunta não é se esta realidade já está a acontecer. A pergunta é:
O que estamos a fazer hoje para preparar emocionalmente as gerações de amanhã?
É precisamente por isto que nasceu a Faz a tua Mudança e Faz a tua Mudança Next Gen e o Treino Intensivo “Da Consciência ao Resultado”.
Trabalhar autoconhecimento, comunicação, gestão emocional, crenças, identidade e liderança pessoal.
Antes de liderarmos equipas, empresas ou carreiras, precisamos de aprender a liderar a pessoa que vemos todos os dias ao espelho.
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Lidera a tua vida, antes que te liderem a ti.
Adriana Carneiro


